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"...até que um dia te dão um rémédio que é melhor que crendice e macumba. Até mesmo que aqueles milagre do norte..."

domingo, 15 de agosto de 2010

Manifesto Vida


Não venho buscar a razão, que é tão complexa quanto matemática ou física. Não estou atrás de respostas, mesmo que você leia algumas de minhas perguntas. Enquanto seus olhos navegarem por estas palavras, vou estar gritando inconscientemente, como quem grita pela vida. São gritos únicos, não são incômodos, não são prazerosos, não são de dor, de agonia, de fome, de raiva, de sede, não expressam sentimentos. São só gritos, como se fossem uma trilha sonora neutra, em que você escuta mas não consegue expressar nenhum sentimento, não classifica como bom, nem como ruim. São só gritos. É só vida. É só a vida que nasce, são só seres pensantes. São só palavras, não são gestos, não são facas. Mas são lidas, enxergadas e perfurantes.

Somos seres frenéticos, inquietos. Temos duvidas eterna, temos problemas pessoais, temos morte, temos dor, temos sentimentos. Desenvolvemos sociedades, que desencadearem sérios problemas a quem a compõe. Mas a sociedade é tão obscura quanto o seu próprio nome. Cada membro desta sociedade deveria ter a consciência de que, ele é um membro da sociedade. Somos compostos, somos plurais e agimos “pluralmente” no singular. Descobrimos prazeres, descobrimos o riso, descobrimos que podemos fazer inúmeras coisas. Descobrimos que podemos impedir os nossos semelhantes de se desenvolver definitivamente. Descobrimos a raiva, o amor, o ódio, descobrimos o dinheiro. A cada ciclo de luz natural, desenvolvemos algumas de nossas habilidades para que nos seja-nos digno a recompensa. Para que tenhamos uma ocupação dentro da sociedade que criamos. Para que não voltemos ao principio da nossa jornada e deixamos tudo o que aprendemos, que acreditamos tudo o que buscamos para trás. No inicio, não se sabia nada sobre sociedades, sobre sentimentos, não se sabia nada sobre o nada. Não se sabia que nossos semelhantes pudessem chegar a sabedoria. Mas pouco se sabe sobre a vida, cada um a enxerga, a conduz, a desenvolve de uma maneira. O que por certo, dificulta a estruturação da sociedade. Dificulta a partir do momento em que cada ser não se desenvolve sabendo que ele, é parte de uma sociedade que de fato construiu coisas e que a mesma sociedade que necessita dele, é ele mesmo. A partir disso, somos seres independentes que no final de nossa breve jornada, acabaremos iguais. Não seremos finalizados da mesma forma, cada um abandonara a sua jornada de um jeito. Deram um nome a isso, se eu não me engano é morte. Descobrimos que os sons, podem ser arranjados em harmonia. Descobrimos que podemos desenvolver habilidades sem dignidade. Podemos ser habilidosos e não sermos recompensados. Descobrimos que vivemos, em um ambiente desconhecido, descobrimos que não descobrimos metade de onde vivemos. Não sabemos se fazemos parte de um sistema maior, de um anglo de visão desconhecida. Não sabemos de metade das coisas que deveríamos saber. Mas sabemos que foram inventadas palavras que limitam o que podemos desenvolver e o que podemos expressar. E como podemos expressar, demos um nome a isso também, que se eu não me engano chamamos de Leis. Essas são como a sociedade, todos sabemos que existe, mas não as conhecemos como deveríamos, e também não empregamos corretamente, e nem a todos como deveria ser. Ao menos a intenção era de que todos os seres da sociedade seriam expostos igualmente ao nosso conjunto de leis, algumas não existiam no inicio. Mas algumas eram simplesmente claras em nosso ciclo. As leis foram criadas, pois já que os seres da sociedade não pensam em prol dela, terão ao menos de respeitá-la. Assim nos desenvolvemos em grupos, em conjuntos. Juntamos-nos com seres de fato semelhantes, que expressam sentimentos semelhantes, idéias e buscam objetivos semelhantes. Nenhum dos seres sabe o porquê estamos aqui. Há versões para nossa existência, aliás, foram os seres desta sociedade que criaram as coisas que eles próprios não compreendem. Mas a vida não, se não houvesse vida não haveria seres, não haveria desenvolvimento, sentimentos, convívio, conflitos. Mas então, porque vida? Para que a temos, se enquanto gozamos de sua presença tentamos por vezes acabar com ela? Talvez não subitamente, pois o sofrimento inconsciente está de fato em todos nós. Passamos nossa jornada acreditando em algo, buscando algo, tentando tornar nossos pensamentos realidades. Pensamos até quando não pensamos em nada, pra isso deram o nome de sonhos. Enquanto pensamos vivemos, fazemos coisas sem saber o que elas representam, destruímos nosso habitat. Destruímos o que nos é vital, sem ao menos nos sentirmos culpados. Boa parte de todos os seres, de todas as sociedades, inclusive eu, acreditamos que não presenciaremos o fim de tudo. Por isso não devemos dar a ele a importância que talvez fosse necessária. Mas a vida ainda está viva, ainda desenvolvemos certas coisas automaticamente, perdemos e conquistamos dia a dia os pensamentos que nos fazem continuar, e que ilusoriamente nos dão a sensação de compreensão, compreender. Não compreendo o porquê da vida, o porquê vivemos aqui, porque somos assim. Não compreendo o porquê desenvolvemos sentimentos, habilidades, o por que de sentirmos necessidade. Somos seres ignorantes o suficiente para sempre buscarmos a sabedoria constante. Para que em todos os segundos temos habilidade mental o suficiente para reagirmos a situações ou fatos impostos pela sociedade. Buscamos em outras realidades a compreensão. Somos uma metáfora errada em uma gramática correta e inexistente. Somos feitos por imperfeições, insistimos em nos tornar o mais perfeito possível, mas só enxergamos o que nos é imperfeito. Somos compostos por leis, sociedade e seres completamente imperfeitos. Atuamos em um cenário desconhecido, mas nos sentimos em casa. A cada súbito momento de bons sentimentos acreditamos que estamos no caminho certo, que seremos perfeitos, até surgir outro desconhecimento. Desrespeitamos. Acredito que o ciclo não deva ser quebrado uma vez que já foi dado o inicio a sua evolução eterna. Algumas das coisas que nós inventamos estão nos destruindo ferozmente. Algumas das coisas que não sabemos estão nos acompanhando eternamente, não sei porque vivo, não sei porque existo. Sei que a vida, é um fato mal explicado, mal compreendido. A vida é coletiva, a vida se você parar pra pensar é uma só, fragmentada em seres. A vida acaba por se tornar só Vida.

Prazer.

Um comentário:

Anônimo disse...

CARALHÔOOO! e dos grandes e grossos.

Muito bom, ô rapaz, muito bom. você já disse muita coisa e só longas conversas podem acrescentar mais do que já disse.

Olha, eu não me sentiria tão mal se a musa ficasse com você, há ;)

Somos uma metáfora errada em uma gramática correta e inexistente. E as linhas finais do teu manifesto também estão ótimas. Valeu aí pelo prazer! ^^